TSE · Receita Federal · PNCP · três bases, um CPF
Candidatos, empresas e contratos no mesmo cruzamento.
O TSE diz quem é candidato. A Receita Federal diz de quais empresas cada um é sócio. O Portal Nacional de Contratações Públicas diz quais empresas assinaram contrato com prefeituras, estados e União. As três bases são públicas e abertas. Aqui elas são relacionadas por identificadores para produzir sinais que ainda precisam ser conferidos na fonte.
O tamanho do cruzamento
No recorte atual, parte dos candidatos de 2026 tem participação societária registrada na Receita. Isso é normal: empresário se candidata. O site mostra quais dessas empresas também aparecem nas bases consultadas de contratações públicas, sem inferir favorecimento ou causa.
Os casos encontrados
As emendas
Emenda parlamentar é uma indicação de destinação do Orçamento sujeita a regras e execução pelos órgãos responsáveis. O recorte relaciona autoria, município e favorecido informado na base. Duas coisas diferentes aparecem aqui, e não devem ser confundidas.
Candidatos sócios de empresa que recebeu emenda
Este cruzamento sinaliza que uma empresa ligada societariamente a um candidato aparece como favorecida em dados de emenda. O registro pede checagem documental e não prova influência, irregularidade ou pagamento efetivo por si só.
Candidatos que assinaram emendas
Aqui não há nada de errado por si só: indicar emendas integra a atividade parlamentar. Valores altos mostram volume registrado no recorte, não influência, irregularidade ou resultado final da execução orçamentária.
| Candidato | UF | Partido | Emendas | Valor pago | Patrimônio declarado |
|---|
Os clãs
Não existe base pública de parentesco no Brasil. Mas quando duas pessoas dividem a mesma empresa e carregam um sobrenome incomum em comum, surge um sinal de possível relação. O agrupamento serve como pista para checagem e pode produzir homônimos ou associações sem parentesco. Não é prova de vínculo familiar.
O que isto não é
Ler estes dados errado é fácil, e injusto com quem está na lista. Então, explicitamente:
Não é lista de corruptos
Ser sócio de uma empresa que vende para o poder público é legal, comum e muitas vezes irrelevante. Empresário se candidata, e a empresa dele continua funcionando. Nada aqui afirma crime, e a maioria dos casos provavelmente não tem nenhum.
Não prova que o político influenciou o contrato
A licitação pode ter sido disputada e ganha no mérito, e o candidato pode nem participar da gestão da empresa. O dado mostra a coincidência entre duas posições, não a causa de uma sobre a outra.
Onde a lei realmente aperta
Para deputados e senadores em exercício, o artigo 54 da Constituição veda manter contrato com pessoa jurídica de direito público e ser proprietário ou diretor de empresa que goze de favor decorrente desse contrato. Por isso os parlamentares em exercício aparecem destacados: neles a coincidência é juridicamente relevante, e merece resposta.
O vínculo é provável, não certo
A Receita publica o CPF do sócio mascarado, mostrando só seis dígitos. Casamos esses seis dígitos com o nome civil completo do candidato. A chance de erro é baixa, mas existe; homônimos com máscara igual foram descartados. Confira sempre na fonte antes de publicar qualquer coisa.
Perguntas frequentes
O que o cruzamento permite investigar e onde ele precisa parar.
Aparecer no site significa que houve crime?
Não. O site mostra coincidências entre candidatura, sociedade empresarial e contratos publicados no PNCP ou, em uma cadeia separada, registros de pagamentos de emendas. Contrato assinado não prova pagamento, irregularidade nem participação do candidato na gestão da empresa.
O vínculo societário é certeza?
É um vínculo provável construído com nome civil e os seis dígitos de CPF publicados pela Receita. Chaves ambíguas são descartadas, mas a fonte oficial ainda deve ser conferida antes de qualquer acusação.
Os valores representam pagamentos efetivos?
Nem sempre. Contratos podem registrar valor inicial ou global, e alguns aparecem sem valor. A seção de emendas segue outra cadeia de dados e é apresentada separadamente.
Para que serve o site, então?
Para priorizar checagens, localizar CNPJs e órgãos no recorte e formular perguntas verificáveis a candidatos, empresas e administrações públicas. O snapshot não publica identificadores estáveis nem links diretos para cada documento de origem; a localização e a confirmação do registro precisam ser refeitas nas bases oficiais.
A cobertura é completa?
Não. A coleta do PNCP avança por períodos, e os totais publicados são um piso do recorte coletado, não o universo de contratos do país. O portal federal específico de obras ficou fora porque estava indisponível durante a coleta, e o download do CEIS ficou fora porque estava bloqueado. Isso não exclui contratos de obras publicados no PNCP, que permanecem no recorte; as condições das fontes externas podem ter mudado desde então.
O site coleta minhas buscas?
Busca e filtros rodam no navegador sobre o arquivo público baixado pela página. Não há conta, formulário ou envio da consulta para uma base própria neste site.
Metodologia
Três bases públicas, um cruzamento, nenhum dado privado.
1. Quem é candidato. Dados abertos do TSE, conjunto
consulta_cand de 2026, com CPF e patrimônio declarado de cada um. É a mesma base
do site de patrimônio.
2. De quais empresas é sócio. Quadro societário do CNPJ, dados abertos da
Receita Federal, competência de agosto de 2026: 28 milhões de vínculos. O CPF do sócio vem
mascarado no formato ***717999**, que são os dígitos 4 a 9. Cruzamos esses seis
dígitos com o nome civil completo do candidato, e descartamos qualquer chave em que mais de um
candidato pudesse se encaixar.
3. Quais empresas têm contrato. Portal Nacional de Contratações Públicas, a base onde União, estados e municípios publicam contratos desde a Lei 14.133. A ligação com a empresa é feita pela raiz de oito dígitos do CNPJ, que identifica a companhia independentemente da filial.
Data de publicação, não de assinatura. A API do PNCP filtra pela data em que o contrato foi publicado no portal, e não pela data em que foi assinado. Por isso a lista inclui contratos assinados em anos anteriores mas publicados no período coletado. A data de assinatura de cada contrato aparece no detalhe.
Cobertura parcial e crescendo. O PNCP publica cerca de 8 mil contratos por dia e limita a velocidade de consulta. A coleta avança dia a dia e o site é regerado conforme ela cresce. O número de casos aqui é um piso, nunca um total.
Contratos sem valor. Alguns contratos aparecem sem valor e isso é real, não falha de coleta: são atas de registro de preço, em que o valor só existe quando houver compra efetiva, cessões de uso não onerosas e obras cujo valor não foi preenchido no portal. Aparecem como "valor não informado" em vez de R$ 0, e entram na contagem de contratos sem inflar nenhuma soma.
Emendas e contratos são listas independentes. Um candidato pode aparecer como sócio de empresa que recebeu emenda sem ter nenhum contrato no PNCP, e vice-versa. São caminhos distintos de dinheiro público, apurados em bases distintas, então a seção de emendas não é um recorte da seção de contratos.
Valores. Usamos o valor inicial do contrato, ou o valor global quando o inicial não existe. Não há correção pela inflação, porque contratos de períodos diferentes convivem na mesma lista; os valores são nominais, como publicados.
O que não entrou. Não temos dados de parentesco, então laços familiares (o parente que é sócio no lugar do político) não podem ser confirmados. Emendas aparecem em seção independente. O portal federal específico de obras ficou fora porque estava indisponível durante a coleta, e o download da lista de empresas sancionadas do CEIS ficou fora porque estava bloqueado. Contratos de obras publicados no PNCP continuam no recorte. Essas condições descrevem o momento da coleta e não permitem afirmar a disponibilidade atual das fontes externas.
Limite de rastreabilidade. Os detalhes publicados trazem campos úteis para triagem, como CNPJ, órgão, data e objeto, mas não incluem identificadores estáveis nem links diretos para cada contrato ou emenda. A página sozinha não permite apontar de forma inequívoca o documento de origem; a checagem precisa ser refeita nas bases oficiais.
Inspiração. A ideia de cruzar CPF de político com sociedade e contrato vem do trabalho de Bruno César no projeto br/acc, que montou um grafo bem mais ambicioso que este, incluindo parentesco e emendas.
Encontrou erro? O CNPJ, o órgão, a data e o objeto ajudam a refazer a busca nas bases oficiais, mas podem não identificar sozinhos um documento único. A página publicada não substitui essa checagem. Correção de dado errado é bem-vinda.